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sábado, 12 de abril de 2008

Que se dane tudo

Tô de saco cheio de tentar, tentar e cair no mesmo erro: o de achar que sou alguma coisa importante. Quem sou eu? Um resto de algo perdido, encroado em algum canto que não se esvai. Algo que fica ali, sem destino e se achando! Que m...! Que saco! Tudo o que tentei fazer em minha vida não deu certo, absolutamente tudo. É uma angústia muito grande. A impressão que tenho é que vim ao mundo pra ficar dessa maneira: sem ter forças pra lutar, pra ver minha cara e errar tudo de novo, iludida comigo mesma.
Que m...! Quero mandar tudo para o inferno mesmo, com todas as letras, sem me policiar, e mandar a todos para o raio que os parta, sem dó nem piedade. Nada funciona. Penso que posso fazer tudo e faço, mas só que na hora H, na hora de ganhar dinheiro, de ter reconhecimento e coisas do gênero, que é o que todo mundo espera, vai tudo para o ralo, como água.
Não quero mais fazer coisas certinhas. Cansei! Tô de saco cheio de tentar me aprimorar e ver que tudo isso não passa de ilusão. Aprimorar o quê e para quê? Nunca quis provar nada a ninguém e agora me pego fazendo isso, querendo ter um retorno (de quê ou de quem?). Ninguém está aqui no mundo para fazer elogios, a não ser no começo, mas depois, tudo é esquecido e você fica ali, sem muito a fazer, porque o que tinha que ser feito já foi feito e não adianta esperar por mais nada. As pessoas não estão disponíveis para tecer o que você planejou.
Que saco! É tudo uma ilusão e não consigo mais me pegar. Já fui! Rompi o véu e fui vagar no ar... como a letra de uma canção que fiz há uns anos atrás com Paulo Newton. É pra lá que gostaria de ir, para o ar, ficar por lá. Não há mais o que fazer, está tudo feito, dito, escrito. Acabou o sonho de achar que os sonhos são realizáveis. Não são não! Que saco!
Não me conformo de ter tantos dons que não me levam a nada, não me dão nada, a não ser aporrinhação. O jeito é parar ou pegar um "foguete e comer desse banquete..." . Eu tinha tudo pra dar certo e acabei no Irajá, como Greta Garbo. Não me conformo, não adianta. Que se dane tudo!

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