Todos têm algo a esconder.
Por trás dos gestos, das palavras
há algo a ser descoberto,
há algo que não quer calar.
Na iminência de ser tirado,
o véu, um dia,
desvenda os olhos e suas verdades.
O calor sobe
borbulhando a pele da mentira que,
como máscara, cai
e assombra a crença.
Um dia após o outro,
segundo após segundo,
não duvide,
tudo pode vir à tona.
Pode-se cobrir de ouro,
pode-se travestir de cordeiro,
esse momento virá
para despencar a trama escondida.
Tudo o que está esmagado,
abafado num canto escuro do caminho,
não terá trégua
enquanto não emergir à claridade.
Alguém sempre sobrevive e conta a história.
A memória é implacável
e denuncia a cor do gesto,
a dor em sua grandeza maculada.