domingo, 30 de março de 2008

Caixa de Vida

Alguém segura uma caixa de papelão
E dentro dela o que restou de sua vida.
O queixo se levanta pelo dedo indicador
E os olhos vêem a porta de saída.
A saída daquele passado,
Chorado no presente
E morto no futuro.
Os sentimentos são marcados
Por dias inesquecíveis
E pelo que se quer esquecer,
Todos dentro daquela caixa de papelão:
fotos, estatuetas, cuecas, calcinhas,
camisinhas, livros...
Tudo ali,
Guardado pelos braços, pelas mãos
Desse alguém que se levanta da cama,
Desamarrota os víncos,
cortando os vínculos com aquela vida,
para criar imediatamente outra,
completamente desconhecida,
como a última tarde.

sábado, 29 de março de 2008

Lua em Sol

Deixei quebrar meu coração,
Isso faz parte dessa estrada.
Desenrolei-me de seus braços,
Deixei a dor virar saudade.
Você não entendeu
Que eu quero seguir só,
Ver a cara do mundo
E transformar a minha lua em sol.
Assim, eu traço meu caminho, brando,
Tocando a minha alma
Pinto cores nesse encontro de sombras
E o meu tempo se acalma.
Meu corpo sola um canto,
Fazendo-me lembrar
Que essa é a minha vida,
Só eu posso mudá-la.
Vou escrever a minha história, livre,
Dar chance pra vitória.
Beber, comer cada palavra,
Lavar a boca calada,
A boca mal calada.

sexta-feira, 28 de março de 2008

Andy Warhol, ícone da Pop Art

Vídeo: O Que é a Pop Art ? - História & Sociedade - WeShow (Edição Brasil)

Andy Warhol foi o mais controvertido e conhecido artista da Pop Art. Em sua obra mostrou sua concepção da produção mecânica da imagem, em detrimento do trabalho manual. Começou sua carreira fazendo ilustrações para anúncios publicitários, para depois iniciar-se na Pop Art, onde destacava a impessoalidade dos objetos produzidos em massa, para consumo, como: garrafas de Coca-Cola, lata de sopa Campbell, automóveis, crucifixos, dinheiro...Entendia as personalidades públicas como figuras impessoais e vazias e as representou nas imagens de Elvis Presley, Marilyn Monroe, Jacqueline Kennedy, John Lennon, Mao Tsé Tung, Che Guevara, entre outros renomados.
Na década de 60, Warhol começou a fazer filmes, com os amigos que frequentavam seu atelier, em Nova York: "Sleep" e "Kiss", em 1963 e "The Andy Warhol Story", em 1967, fonte de inspiração para os atuais videoclipes de MTV.
Ele financiou e foi mentor intelectual a banda The Velvet Underground; foi também incentivador do trabalho de outros artistas. Warhol é o autor da frase "Um dia todos terão direito a 15 minutos de fama", dita enquanto comentava sobre suas obras baseadas em acidentes automobilísticos. Andy Warhol morreu em 22 de fevereiro de 1987 , em Nova York, depois de operar a vesícula biliar.
O movimento Pop Art tem suas raízes no Dadaísmo, de Marcel Duchamp. Na década de 50, alguns artistas estudavam símbolos e produtos do mundo da propaganda, nos Estados Unidos, assunto que acabou virando tema das obras daquela turma, que tinha como principal objetivo, ironizar e criticar a massificação dos objetos de consumo.

segunda-feira, 24 de março de 2008

Brubeck e Desmond tocam Take Five


YouTube - Dave Brubeck - Take Five
Vídeo gravado em 1961, com Brubeck Quartet tocando Take Five, composição de Paul Desmond, (59). Esse tema transformou o quarteto num campeão de vendas da época. Brubeck, que nasceu em 6 de novembro de 1920, começou a aprender piano aos quatro anos, com sua mãe e, aos nove, estudou violoncelo. Por incrível que possa parecer, não sabia ler partituras, porque queria criar suas próprias canções.
Dave Brubeck era fã de Duke Ellington e de música erudita. O amor ao jazz e ao clássico o tornou um dos compositores mais inovadores do gênero. Criou um estilo próprio de tocar piano, usando compassos em números primos (5/4, 7/4, 11/4), fazendo mudanças no andamento e ousando nas harmonias.
Take Five é uma das canções mais atraentes e envolventes. O sax de Desmond dá o tom sensual desta música e o baterista Joe Morello faz um solo por alguns minutos, acompanhado pelo olhar atento de Brubeck.
O Brubeck Quartet foi desfeito em 1967, mas Dave e Desmond continuaram a tocar juntos. Em 2005, Brubeck trabalhou com a London Symphony Orchestra.

quarta-feira, 19 de março de 2008

Luciano Maurício, Saudade do Artista Amigo

Hoje me bateu uma enorme saudade de meu amigo querido Luciano Maurício, um artista plástico da maior expressão, que morreu ano passado, em Cotia, São Paulo. Ele era carioca e viveu em Friburgo durante muito tempo. Foi em 83 que o conheci, numa oficina de artes plásticas. Foi meu mestre e amigo. Foi amizade à primeira vista. Que figura incrível! Que obra igualmente incrível! Cabe a mim dizer que ele fez tudo para me ajudar. Se preocupava comigo, como se fosse sua filha. Era amor filial mesmo. Estava sempre aberto para me ouvir e conversávamos horas a fio, madrugada a dentro, sem percebermos que a noite havia avançado tanto.
Quando estávamos juntos, ouvia suas histórias sobre cenografia na Tv Tupi, sobre Di Cavalcanti, com quem partilhou atelier durante muito tempo, sobre suas aventuras, desventuras, amores, casamentos (foram vários), seu trabalho e por aí vai. Sempre irônico, sabia que morreria sozinho e não deu outra. Ligava sempre pra ele pra saber como estava e da última, fiquei com o coração partido. Sua voz emanava a dor que sentia e ele me disse o quanto estava sofrendo. Chorei muito por ele e por não poder estar com ele, pelo menos para segurar sua mão, dar o apoio que ele sempre me deu.
Foi nesse dia que fiz um poema dedicado a ele:


Meu melhor amigo vai morrer.
Ouvi hoje sua voz de lamento,
de quem não quer falar,
uma voz acamada,
que anuncia a morte.
Meu melhor amigo está longe
e eu nada posso fazer daqui,
mas sinto sua dor,
aquela de quem está partindo.
Ele fez tanta coisa por mim,
que mal posso citar tudo.
Proporcionou-me o conforto
que só um grande amigo pode dar.
Estou partida
em pequenos gomos de tristeza.
Toda minha alma chora
nos acordes de um baixo.
É como se um poema
nunca mais tivesse a chance
de ter um ponto final,
que somente ele poderia dar.
Meu amigo vai embora
e levará com ele a sua pintura,
seus textos, suas piadas,
suas ironias, seu sarcasmo.
Leva também minha lástima
de nunca mais poder conversar,
gargalhar, ouvir música,
comer um doce turco.
Ver qual seu próximo trabalho,
sua mais nova sacada,
o amanhecer, o anoitecer.
Ele levará seus segredos
partilhados comigo,
sua delicadeza,
sua maneira peculiar de ver a vida.
Meu melhor amigo Luciano
deu-me o seu melhor,
sua sabedoria, sua experiência,
sua bondade, seu coração fraternal.

terça-feira, 18 de março de 2008

Billie Holiday em Strange Fruit


YouTube - Billie Holiday - Strange Fruit
Nesse vídeo, onde Billie Holiday interpreta "Strange Fruit", nota-se a incrível dor da diva do jazz, chamada de "Lady Day", por Lester Young. Numa referência aos assassinatos de negros, nos Estados Unidos, àquela época, essa música fala do horror de vê-los pendurados, enforcados nas árvores. São as estranhas frutas penduradas. Billie canta sofrida, porque também é vítima do preconceito racial.
Quando cantava com Count Basie, de 1936 a 38, numa de suas tournés, um empresário achou sua pele branca demais e a obrigou a pintar seu rosto com graxa de sapato. Uma humilhação não superada, que a fez voltar à Nova York, onde então começa a cantar no "Café Society", onde sua fama começa a crescer.
Uma vida de grandes atribulações. Billie foi parar na cadeia muitas vezes. No começo por prostituição e depois pelo uso de heroína, o que a levava também para os hospitais, outras tantas.
Mas, durante seu tempo de vida, (Billie morreu em 17 de julho de 1959), ela foi considerada pelos músicos como a maior cantora de jazz. Em janeiro de 1937, entra em estúdio com Lester Young, pela primeira vez e, com ele, grava mais de cinquenta canções, no decorrer de quatro anos. Eram verdadeiras jóias do jazz e alguém escreveu que nesse dia "Surgiu uma nova forma de poesia amorosa entre a voz humana o instrumento musical". Acho que essa é a frase mais certeira e absoluta, porque é uma voz incomparável, que se mistura à sua emoção e que nos faz emocionar diante da fragilidade e da grandeza, tudo ao mesmo tempo.
Esse vídeo mostra bem isso. Embora esteja um pouco tremido na qualidade, é Billie quem nos faz tremer diante daquela interpretação, daquela maneira própria de cantar a sua realidade e sua tristeza em relação à vida que estava fadada a viver. É simplesmente demais!

segunda-feira, 17 de março de 2008

YouTube - João Gilberto & Tom Jobim - Desafinado

YouTube - João Gilberto & Tom Jobim - Desafinado

Neste vídeo, João Gilberto e Tom Jobim tocam juntos a música que é uma unanimidade no ranking da Bossa Nova: "Desafinado". É um espetáculo ver esses dois mitos da músicas brasileira, que fizeram perpetuar o ritmo carioca. Deleitem-se nessa onda de acordes.

Bossa Nova em 50 Anos


A Bossa Nova é um gênero musical tipicamente carioca. Ô Música maravilhosa e está completando seus 50 anos. Desde que me entendo por gente a ouço. Sou louca por Bossa Nova. É uma música envolvente, com um ritmo que faz você entrar no cenário que é a Zona Sul. Todas as canções, alegres ou tristes, remetem a uma coisa boa que está dentro de você, mas não se sabe explicar o quê. Pode ser o mar, pode ser a gente que passeia pela praia, o pôr do sol, o barquinho, o amor, o namoro. É tudo!

A batida da Bossa Nova caiu no gosto daqueles que buscavam um ritmo mais swingado (influência certa do jazz), que saísse do samba quadrado e que refletisse o sentimento daquela geração. Está claro que a Bossa Nova fala o "carioquez", tem o seu sotaque chiado e a silhueta das montanhas cravadas no mar. É só fechar os olhos quando a ouve, que lá vem Ipanema, Copacabana, Leblon...traçando seus contornos.

Num ligeiro panorama desse movimento, a primeira canção a ser gravada foi "Canção do Amor Demais", de Tom e Vinícius, em 58, por Elizeth Cardoso que teve o auxilio luxuoso do violão de João Gilberto, com sua batida inovadora e que encantou a todos. João Gilberto virou guru dos músicos e sua presença era sempre imprescindível em festas, bares ou boates. Nesse mesmo ano, ele gravou em 78 rpm "Bim Bom" e "Chega de Saudade".

O Brasil vivia um período de efervescência cultural, naquele época. Na literatura, o "Concretismo Pictórico", no cinema, o "Cinema Novo", nas artes plásticas, o "Movimento Neo-Concreto". Na música, a Bossa Nova também tem o seu papel relevante e foi o berço de Dolores Duran, Luiz Bonfá, Carlos Lyra, Ronaldo Bôscoli, Johnny Alf, que era admirado pelos músicos, por sua maneira diferente de cantar e tocar.

Nasceram também grande compositores como Tom Jobim, Custódio Mesquita, João Donato, Antonio Maria, Vinícius de Moraes, Oscar Castro Neves, Baden Powel, entre muitos outros. Além disso, as canções davam margem para grandes interpretes como Lúcio Mauro, Dick Farney, Os Cariocas, Marisa Gata Mansa, Maysa, Nara Leão, Wanda Sá, e por aí vai.

Essa música encanta pelo mundo a fora. No Japão, Estados Unidos, Europa, Rússia, nossos "bossanovistas" têm muito prestígio. Wanda Sá e Roberto Menescal, por exemplo, estão sempre em tourné por esses lugares e são ovacionados e muito queridos. Agora, esse ano, a justa homenagem àqueles que acreditaram na excelência dessa música, que ainda mantém o seu frescor e que, através de sua batida diferente, faz muita gente suspirar com sua composições , que imortalizaram o amor, a alegria e a sofisticação da simplicidade.

sábado, 15 de março de 2008

John Pizzarelli - 'I Got Rythm' (Ao Vivo) - Jazz - WeShow (Edição Brasil)

Assistam a esse vídeo em que John Pizzarelli dá um show tocando, ao vivo, "I Got Rythm", de George e Ira Gershwin. Esta música está no álbum "Kissis in the Rain", lançado em 1999. Com sua habilidade excepcional de guitarrista, Pizzarelli vai traçando seus acordes, aliados à sua voz doce e à uma precisão de tirar o fôlego.
Pizzarelli, que nasceu em abril de 1960, na cidade de Paterson, N.J., começou a tocar muito cedo com seu pai, o guitarrista Bucky Pizzarelli. Aos 20 anos gravou seu primeiro álbum, mas foi em 1993 que ganhou destaque no mercado fonográfico, vestindo o jazz antigo com sua nova interpretação.
John Pizzarelli, no começo de sua carreira, abriu vários shows de Frank Sinatra, fez tributos a Johnny Mercy e a Nat King Cole, uma de suas maiores influências. Em 2004, gravou o álbum "Bossa Nova", baseado na obra de Tom Jobim, onde interpreta "Garota de Ipanema" e "Águas de Março".
John Pizzarelli - 'I Got Rythm' (Ao Vivo) - Jazz - WeShow (Edição Brasil)

sexta-feira, 14 de março de 2008

YouTube - Hermeto Pascoal - Música da Lagoa

Assistam a esse vídeo, onde Hermeto Pascoal e seus músicos integram-se à natureza, através de sua música tocada com instrumentos como garrafões, garrafas, flautas, além da própria água, que empresta seus barulhos. A gravação foi realizada no Parque Estadual Alto da Ribeira, em São Paulo, e pode-se ver o quanto a mãe natureza pode se envolver e ser envolvida com carinho, requinte e delicadeza.

YouTube - Hermeto Pascoal - Música da Lagoa

domingo, 9 de março de 2008

O Véu Cai

Todos têm algo a esconder.
Por trás dos gestos, das palavras
há algo a ser descoberto,
há algo que não quer calar.
Na iminência de ser tirado,
o véu, um dia,
desvenda os olhos e suas verdades.
O calor sobe
borbulhando a pele da mentira que,
como máscara, cai
e assombra a crença.
Um dia após o outro,
segundo após segundo,
não duvide,
tudo pode vir à tona.
Pode-se cobrir de ouro,
pode-se travestir de cordeiro,
esse momento virá
para despencar a trama escondida.
Tudo o que está esmagado,
abafado num canto escuro do caminho,
não terá trégua
enquanto não emergir à claridade.
Alguém sempre sobrevive e conta a história.
A memória é implacável
e denuncia a cor do gesto,
a dor em sua grandeza maculada.

quinta-feira, 6 de março de 2008

O presente e a saudade

A saudade de mim, do que eu fui,
está no abismo do tempo.
Insustentável, diluído,
o tempo traz a saudade intransponível.
Ela vem com suas garras,
te abraça, te lança para o passado
e, num salto, que te acaricia.
A saudade te remete aos amores, à ingenuidade...
te faz pensar no quanto seria boa essa volta,
mas não tem retorno.
Ela serve para isso mesmo,
lembrar o quanto se caminhou,
o quanto se fez,
o quanto tudo é positivo,
apesar de tudo.
A saudade traz para o presente o passado,
como num flashe
e o senhor do tempo nos diz que ainda temos muito que caminhar,
temos muito que gerir,
temos ainda que produzir muito
e que não há cansaço nisso.
A saudade e o tempo se encontram
e trazem em suas bagagens as nossas lembranças
daquilo que fomos e o que ainda seremos.
Uma nostalgia os acompanha, naturalmente.
O nosso olhar muda de janela
e se enverga para dentro,
mostrando acertos, erros e um tanto de cor,
seja em preto e branco ou multicolorido,
vai depender da cor que você pintou a sua vida.

domingo, 2 de março de 2008

O quê a palavra tem?


Palavras fortes,
palavras que podem ferir,
que se transformam em dardos
atirados contra o outro.
Elas podem seguir caminhos
que não têm saída,
quando lançadas em seu alvo
e lá encontram seu fim.
Não desviam de sua rota,
não tomam atalhos,
só seguem seu curso,
com a força de quem as pronunciou.
Perigosas, as palavras são implacáveis.
Criam seu corpo,
têm seu próprio volume
e seguem entoando a intenção.
Seu caminho, depois de atiradas,
não tem setas de retorno:
é reto e puro como elas.
Agregam em si a emoção, o gesto,
a nobreza, ou não,
inerente a cada uma delas.
Não há moderação, nem moderadores.
Trazem consigo sua carga emocional,
e mesmo sabendo disso são ditas,
as malditas.
São capazes de unir e desunir,
de fazer amar e odiar.
Palavras...
como viver sem elas?!
Palavras.

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